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REPORTAGEM · FESTIVAIS

Lobofest encerra temporada de 2026 em Sorocaba após espalhar shows pela cidade

Com oito atrações no último fim de semana e uma programação iniciada em março, o festival apostou em encontros entre diferentes vertentes da música brasileira. À Vitrola Digital, a organização explica as escolhas da curadoria e antecipa os planos para 2027.

Por Lucas Coutinho·12 DE OUTUBRO DE 2026·Sorocaba·5 min de leitura
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Público reunido durante apresentação musical, com braços levantados e iluminação avermelhada, em registro do Lobofest na Cidade 2026.
Público acompanha apresentação no Lobofest na Cidade, em Sorocaba, durante a temporada de 2026.Foto: @alpassini
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Rodrigo Alarcon — Guizo de Cascavel

Álbum: Guizo de Cascavel

O Lobofest na Cidade encerrou a temporada de 2026 nos dias 10 e 11 de outubro, no Iguatemi Esplanada, em Sorocaba. O evento fechou um calendário iniciado em março, com shows distribuídos ao longo do ano e uma proposta de aproximar artistas de diferentes cenas do público da região.

O último fim de semana reuniu Farid, Jean Tassy, Rodrigo Alarcon e o Bloco do Eu Sozinho, apresentado por Rodrigo Barba, no sábado. No domingo, Duda Beat, Tagua Tagua, Gab Ferreira e DJ Salum conduziram o encerramento, em uma programação que transitou pelo R&B, soul, pop, indie e música eletrônica.

Mais do que reunir artistas de gêneros diferentes, o Lobofest procurou construir uma experiência em que o público pudesse circular entre repertórios, reconhecer suas referências e descobrir outras.

Uma curadoria que convida à descoberta

Em entrevista à Vitrola Digital, Marcio Bertasso, um dos organizadores do festival realizado pela Lobotomia, explicou que a curadoria nasce de conversas entre integrantes da equipe e também considera sugestões do público.

Segundo ele, esse diálogo permite identificar artistas que estão ganhando espaço. A seleção, porém, não se resume à popularidade de cada nome: a relação musical entre as apresentações também faz parte das decisões.

“Todos os dias a gente tentou construir algo que fosse se conectando e que o público não viesse pra ver um único artista. Ele viesse pra ir curtir um dia todo e, no mínimo, ser surpreendido por um artista que ele não conhecia naquele dia”, contou.

Márcio também explicou que a organização procura equilibrar as possibilidades financeiras de cada edição com suas escolhas artísticas.

Essa perspectiva ajuda a entender o papel da curadoria: não apenas apresentar nomes conhecidos, mas criar conexões entre trabalhos que, colocados na mesma programação, podem ampliar o repertório de quem está assistindo.

Um festival que encontrou novas formas de acontecer

A edição de 2026 marcou uma nova etapa para o Lobofest na Cidade. Antes realizado como uma programação de aquecimento para o festival principal, o formato ganhou protagonismo e passou a ocupar diferentes datas ao longo do ano.

A mudança teve uma razão prática. Márcio explicou que a realização de um grande festival, como nas edições anteriores, dependia de um apoio financeiro que não foi possível viabilizar neste ano. Em vez de interromper a programação, a organização decidiu ampliar as edições menores do Na Cidade.

A experiência também respondeu a uma demanda que vinha crescendo. Segundo o organizador, o Lobofest passou a ser procurado para receber apresentações de diferentes artistas, e concentrar tudo em uma única data limitava essas possibilidades.

Com eventos realizados desde março, a equipe pôde experimentar uma programação mais frequente, mantendo a proposta de aproximar a cena musical de Sorocaba de artistas que circulam pelo país.

O encerramento no Iguatemi Esplanada reuniu quatro dias de apresentações, distribuídos entre setembro e outubro. Márcio destacou que o apoio do shopping foi importante para viabilizar essa etapa da programação.

E em 2027, o que vem por aí?

Com o último show de 2026, surge uma pergunta para quem acompanhou o festival: o Lobofest continuará espalhado pela cidade ou voltará a reunir sua programação em um grande evento?

Para Márcio, os dois caminhos não precisam ser excludentes.

“É claro que ano que vem a gente quer voltar a ter o grande festival, mas o Na Cidade vai permanecer”, afirmou à Vitrola Digital.

O organizador contou que as edições menores ajudaram a equipe a encontrar um formato que considera possível manter, especialmente pelas condições de produção e pela capacidade dos espaços utilizados.

A intenção, portanto, é buscar o retorno do festival de grande porte e preservar os encontros que ganharam espaço ao longo de 2026.

Ao encerrar sua temporada, o festival deixa também uma ideia sobre o papel dos eventos musicais: a descoberta pode acontecer quando alguém chega para assistir a um artista que já conhece e encontra, no mesmo dia, uma música que ainda não fazia parte da sua escuta.


Lucas Coutinho

Lucas Coutinho

Jornalista musical e editor da Vitrola Digital

Jornalista musical e editor da Vitrola Digital. Nas redes, assina como LUKE e produz conteúdo sobre música brasileira, artistas, cenas e cultura.

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