VITROLA DIGITAL
ENTREVISTA · COMPORTAMENTO

Rodrigo Alarcon revisita um ano de “Guizo de Cascavel”

Após passagem pelo Lobofest, em Sorocaba, cantor conversa com a Vitrola Digital sobre os novos sentidos das canções, a parceria com Rashid e os arranjos da turnê.

Por Lucas Coutinho·30 DE OUTUBRO DE 2026·4 min de leitura
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Rodrigo Alarcon toca guitarra no palco, com roupa clara e luzes amareladas ao fundo.
@alpassini
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Rodrigo Alarcon — Menino Amor

Álbum: Guizo de Cascavel

No lançamento de “Guizo de Cascavel”, Rodrigo Alarcon se identificava sobretudo com “Mão da Cartomante”. Ele reconhecia na letra uma afirmação da própria existência. Um ano depois, a circulação dessas canções pelos palcos abriu espaço para outra identificação: “Menino Amor” ganhou importância a partir do encontro com o público.

Rodrigo conta:

“A reação do público a ela foi o principal motivo pra isso. É incrível como ela ao vivo tem muita força.”

Lançado em 16 de outubro de 2025, “Guizo de Cascavel” completa um ano com histórias que continuam se desenvolvendo nas apresentações. Após a passagem de Rodrigo pelo Lobofest na Cidade, em Sorocaba, a Vitrola Digital conversou com o artista sobre o percurso do disco, das decisões no estúdio às descobertas durante a turnê.

“Menino Amor”, por exemplo, tornou-se uma das músicas que ele mais espera cantar no show, justamente para acompanhar a resposta da plateia.

Um samba que encontrou a salsa e o rap

A transformação também aparece na história de criação de “Pegapacapá”. Rodrigo apresentou a composição a Niela Moura, produtora do álbum, como um samba sobre o cotidiano urbano, seus problemas e as dificuldades que se acumulam quando começa a chover.

Foi Niela quem sugeriu acrescentar a salsa. Para o compositor, a combinação encontrou uma relação direta com o cenário narrado pela letra:

“A mistura casou perfeitamente com o caos latino-americano de um grande centro urbano.”

A construção continuou no estúdio. Com o instrumental já encaminhado, os dois perceberam espaço para um verso de rap. Niela sugeriu Rashid, e o convite abriu outra possibilidade para a composição.

Rodrigo conta que o tema estava definido, mas a escrita do rapper acrescentou novos contornos à canção. Ao revisitar a parceria, destaca o aprendizado de dividir a criação com ele.

“Pra mim foi inspirador trocar com ele, é uma honra imensa dividir a composição com um artista referência pelo seu talento na cena do rap nacional.”

No relato do cantor, “Pegapacapá” foi ganhando sua forma no diálogo entre a composição apresentada à produtora, as escolhas do instrumental e a contribuição do convidado.

A saudade volta em outro ritmo

As duas versões de “Saudade Dela” ajudam a compreender a organização do álbum. A canção abre o trabalho e retorna no encerramento, como “Saudade Dela (Fim)”, com outra disposição musical.

Segundo Rodrigo, a primeira versão composta já se aproximava daquela que inicia o disco. A escolha de retomá-la ao final surgiu da relação entre o sofrimento e as demandas do cotidiano. Ele explica:

“A ideia é a de que o mundo não para para que a gente sofra, a gente tem que conciliar as dores da vida com o dia a dia e suas demandas.”

Por isso, a abertura tem um tom mais melancólico, enquanto o encerramento é mais festivo. Entre uma versão e outra, o disco percorre outras histórias. Quando aquele pensamento reaparece, o tempo e as experiências atravessadas pelo repertório modificam sua expressão.

Para o compositor, essa passagem mostra que o tempo não apaga mas cura as feridas que a vida nos deixa.

O disco encontra outras fases da carreira

Ao falar sobre a apresentação no Lobofest, Rodrigo explica que o show da turnê traz “Guizo de Cascavel” na íntegra. Esse repertório também oferece um caminho para revisitar músicas de outros momentos de sua trajetória.

Um dos blocos que destaca reúne “Garota do Fantástico”, “Carta que não diz” e “Amor Acidente” em um medley. As duas últimas receberam novos arranjos para se aproximar do universo do álbum.

“Poder brincar com os arranjos e trazer as músicas de outras fases da minha carreira para esse universo fez esse show ficar ainda mais especial.”

Quando perguntado sobre o que gostaria que alguém percebesse numa primeira escuta de “Guizo de Cascavel”, Rodrigo volta ao trabalho coletivo que sustenta as gravações e as apresentações.

“Gostaria que percebessem o fator humano por trás de todas as músicas.”

Ao destacar os instrumentos e as pessoas que dão forma ao repertório, resume:

“Um álbum e um show feito por pessoas reais para pessoas reais.”

Próximos shows

Rodrigo Alarcon apresenta “Guizo de Cascavel” em voz e violão no Bona Casa de Música, em São Paulo, em 8 de novembro, e no Alma Campinas, em 18 de novembro. Confira o serviço das apresentações na Agenda da Vitrola Digital.

Lucas Coutinho

Lucas Coutinho

Jornalista musical e editor da Vitrola Digital

Jornalista musical e editor da Vitrola Digital. Nas redes, assina como LUKE e produz conteúdo sobre música brasileira, artistas, cenas e cultura.

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