Yan Cloud e Rachel Reis — NÊGA
Álbum: AFROSSA
Uma música pode levar a outra por caminhos que os créditos ajudam a revelar. Rachel Reis aparece em uma gravação de Yan Cloud, que também recebe Melly em seu disco. Melly, por sua vez, divide uma canção com Hiran. Seguir essas conexões é uma maneira de descobrir repertórios e conhecer parte da produção musical baiana.
Nesta seleção, a Vitrola reúne seis artistas e uma faixa de entrada para cada trabalho. O percurso passa pelo pagodão, pelo rap e por referências eletrônicas, com espaço para gravações recentes e músicas que merecem voltar ao seu play.
Rachel Reis: Apavoro, com Psirico
“Apavoro” integra Divina Casca, álbum lançado por Rachel Reis em 2025. A parceria com Psirico aproxima o repertório da cantora de Feira de Santana do trabalho de Márcio Victor e do pagodão.
Em entrevista, Rachel contou que a gravação foi produzida com músicos ligados a essa linguagem. O encontro permite conhecer uma das direções de um disco que também recebe BaianaSystem, Nêssa, Don L e Rincon Sapiência.
Melly: Ela Gosta de Menina, com Anitta
A colaboração integra Mais Forte Que a Dúvida, lançado em maio de 2026. Com 14 faixas, o álbum dá continuidade à trajetória de Amaríssima e também ganhou um filme.
A indicação apresenta uma parte do trabalho atual de Melly por um encontro entre intérpretes. Para ampliar o percurso, vale procurar Slap Sessions: Melly (Ao Vivo), também de 2026, que reúne músicas de seu repertório e uma interpretação de “Eternamente”, conhecida na voz de Gal Costa.
Jadsa: sol na pele
Composta por Jadsa e Antonio Neves, “sol na pele” integra big buraco, de 2025. A letra aproxima desejo e paisagem, trazendo referências a Caetano Veloso e ao Olodum.
Jadsa também divide com Neves a produção do álbum. Segundo a apresentação oficial do trabalho, gestos e sons feitos com a boca participaram da criação dos arranjos. Esse processo oferece uma pista para acompanhar a voz como instrumento de composição, além da interpretação das palavras.
Sued Nunes: Eixo
“Povoada” apresentou Sued Nunes a muitos ouvintes. Aqui, a escolha é outra: “Eixo”, faixa que abre Segunda-feira, álbum de 2024.
Vinda de Sapeaçu, no Recôncavo Baiano, a compositora trabalha nesse projeto uma proposta mais eletrônica, ligada a referências de Exu. A faixa permite avançar além de seu repertório mais conhecido e acompanhar outras escolhas de uma trajetória que também inclui Travessia, de 2021.
Hiran: Imundo, com Luedji Luna
Lançada em 2026, a gravação reúne Hiran, Luedji Luna e Del Jay, com participação de Ícaro Santiago. “Imundo” também dá nome a um álbum do rapper.
A faixa entra na seleção pelo encontro entre esses trabalhos. Para conhecer outra colaboração de Hiran e conectar dois nomes deste percurso, procure “Ceder”, single que ele lançou com Melly em 2022.
Yan Cloud: Nêga, com Rachel Reis
“Nêga” integra AFROSSA, álbum de 2024 em que Yan Cloud aproxima referências do afrobeats e da música de Salvador. O título combina “Afro” e “SSA”, abreviação da cidade.
A participação de Rachel Reis fecha uma conexão com o início da playlist. Dentro do mesmo disco, “Ofegante”, com Melly, abre outro caminho. Assim, a seleção pode continuar pelos álbuns e pelas parcerias: cada encontro acrescenta um nome à próxima escuta.

Lucas Coutinho
Jornalista musical e editor da Vitrola Digital
Jornalista musical e editor da Vitrola Digital. Nas redes, assina como LUKE e produz conteúdo sobre música brasileira, artistas, cenas e cultura.





